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⁠⁠⁠Sherlock abre o 'clube dos garotos' para a participação feminina


LONDRES (Reuters) - "Sherlock", a adaptação televisiva da série de  Arthur Conan Doyle que conquistou o mundo, sempre foi sobre uma dupla masculina, um estranho bromance que ajudou a despontar as carreiras internacionais de Benedict Cumberbatch (Sherlock Holmes) e Martin Freeman (John Watson). Mas a introdução de Mary Morstan, noiva do Dr. Watson, transformou a dupla da série numa 'dupla de três'.

"Eu gosto dele", anunciou Mary ao conhecer Sherlock Holmes no início da terceira temporada, depois que o herói - que aparentemente morrera em um mergulho suicida no final da segunda temporada - apareceu quando John a pedia em casamento durante um jantar. "História curta: Vivo", disse ele a um Watson atordoado e furioso, que lamentava a morte de seu amigo há dois anos.

"A reação dela diz muito", disse Mark Gatiss, co-criador da série. "Ela não dá ao Watson a simpatia que ele quer. E isso é uma pista para o que vai acontecer mais tarde."

Muitas coisas acontecem depois. Quando a quarta temporada estrear no dia 1º de janeiro, os telespectadores já saberão que Mary (Amanda Abbington) é uma assassina de primeiro escalão, desesperada para esconder o passado de seu marido. Mas Mary também fornece uma presença substancial que amplifica os papéis secundários de outras personagens importantes do programa: Molly (Louise Brealey), a patologista apaixonada por Sherlock, e Sra. Hudson (Una Stubbs).


"Nós éramos muito conscientes, desde o início, de que as mulheres não são muito presentes na obra original de Conan Doyle", disse Gatiss, intérprete de Mycroft Holmes na série. "Senhora. Hudson é a mulher mais famosa nas histórias de Holmes, mas mesmo ela é uma espécie de fantasma; e Mary Watson só realmente aparece em uma história. Era muito importante para nós a presença de personagens bem desenvolvidas nessa releitura das histórias no século 21"

No final da terceira temporada, Sherlock é o inquilino solitário do 221B Baker Street, quando John e Mary se casam e mudam-se para sua própria casa enquanto esperam um bebê. Mesmo antes dessa temporada começar, os fãs já sabiam que eles tiveram uma menina de nome Rosamund, visto que os produtores colocaram um anúncio de nascimento direto no The Daily Telegraph, " de seus amigos Mrs. Hudson, Molly e Sherlock, embora ele não tenha ajudado a gente em nada por estar o tempo todo no telefone .

Amanda Abbington
Reforçar o papel de Mary Morstan (que se casa com o Dr. Watson no final do romance de Conan Doyle "O Signo dos Quatro") foi um ato de equilíbrio, diz Gatiss. "A coisa que queríamos desesperadamente evitar era que Mary fosse um obstáculo para Watson", disse ele. "Sentíamos que a mulher que se casa com Watson e se torna parte de Baker Street não poderia ser uma pessoa comum".

Ele acrescentou que havia pistas sobre a natureza de Mary o tempo todo: "Você lê 'mentirosa' entre as palavras que Sherlock encontra quando deduz coisas sobre ela, ela sabe ler códigos e ela funciona tranquilamente sob pressão. Agora as cartas foram postas à mesa"

Amanda Abbington disse ter ficado impressionada ao descobrir o segredo de sua personagem. "Eu não queria que ela fosse como tantos outros papéis femininos, apoiada em personagens masculinos", disse ela. "É sempre interessante interpretar personagens falhos e facetados, e ela fez coisas horríveis. Estava decidido desde o início que Mary e Sherlock teriam muito em comum. Eles são todos meio que loucos; John é atraído para o perigo, Mary é uma assassina de sangue frio, Sherlock um sociopata. Eu queria ter certeza de que ela era tão louca quanto eles. "

Para a Sra. Hudson, outra personalidade feminina recorrente, Gattis e Moffat desenvolveram uma história que lhe dá um passado interessante. Eles também criaram Molly, que não faz parte da obra de Conan Doyle. "Molly, uma patologista tímida apaixonada por Sherlock, foi criada primeiramente para demonstrar o quão frio e desumano Sherlock é", explica Gatiss. Mas Louise Brealey deu ao personagem uma dignidade e profundidade que ressoou aos criadores. "Louise realmente fez tanto com o personagem que queríamos ver mais dela", disse ele, acrescentando que, já na terceira temporada, Molly e Sherlock desenvolveram um vínculo real que continua na 4 ª temporada.


Louise Brealey
"Molly é uma criação especial Moffat-Gatiss", diz Louise. "Tentei transformá-la em um ser humano em vez de uma piada, ou uma caricatura. Ela não tem apenas uma queda por Sherlock, ela vê algo nele, uma humanidade que ninguém mais, antes de John, era capaz de ver, pela capacidade que ele tem em se comportar de maneira tão monstruosa." Molly continua a amar Sherlock, mesmo quando namora outras pessoas (um deles - o arqui-inimigo de Sherlock, Moriarty), e esse amor, Louise complementa "é estranhamente redentor para ambos os personagens."

Enquanto Molly está plenamente consciente de todas as nuances das palavras e ações de Sherlock, Sra. Hudson, é alegremente insensível ao seu comportamento anti-social e uma fonte de alívio cômico. "É um belo contrapeso à doçura de Una que a personagem tenha esse passado interessante", diz Gatiss.

"Vamos ver mais disso na próxima temporada", acrescentou misteriosamente.

Una comenta que tentou fazer algo diferente das interpretações auspiciosas da Sra. Hudson em outras adaptações dos livros. "Eu sou mãe de três filhos, então eu pensei que seria um bom ângulo para continuar", disse ela. "Uma vez disse a Benedict que meus filhos quando me visitam vão direto para a geladeira e preparam sanduíches e ele fez isso em um episódio."

Una diz que Gatiss e Moffat "me deixaram mais atrevida e um pouco suja, o que eu gostei bastante." e acrescenta que achava que a Sra. Hudson tinha visto diversos exemplos de mau comportamento. "Então a personagem meio que já se acostumou com o comportamento de Sherlock, embora às vezes as cortinas caiam e ela lhe dê um puxão de orelha", disse ela. "Eu adoro ele e John, e gosto disso de forma agradável e acolhedora."

As mulheres de Baker Street
Todas as mulheres na série, comenta Amanda, são personagens fortes, imprevisíveis, falhas. E as mulheres, acrescenta Sue Vertue (produtora da série) veem através de Sherlock e de uma forma que os personagens masculinos geralmente não enxergam. "Os homens são todos maravilhados com ele, enquanto as mulheres o admiram, mas colocam ele no lugar", finaliza Sue.

Porém, por mais importante que seja o papel das mulheres, a série permanece centrada em Sherlock e John. "Acredito que exista uma linha tênue entre atualizar algo e tê-lo fiel a época atual com a vontade de mantê-lo próximo à obra original", comenta Freeman. "Somos preocupados com a representatividade de mulheres, mas você também não pode jogar tudo lá por achar que uma era diferente era misógina".

Sue concorda. "As personagens femininas estão lá pelas razões certas, por histórias em que homens e mulheres desempenham papéis e para não sermos politicamente corretos", diz ela. "As personagens femininas são grandes personagens."


Fonte: NY Times

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