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Lara Pulver: A cena de 111 segundos que impulsionou minha carreira

A dominatrix de Lara Pulver foi mais que uma adversária para o grande detetive. Ela conta a Rosamud Urwin sobre gravar a cena com Benedict Cumberbatch e como isso mudou sua vida



Se Lara Pulver está cansada de falar sobre aquela cena, está escondendo isso convincentemente. Mas a ideia de que os 2.5 milhões de espectadores que assistiram no iPlayer a sua nudez como a dominatrix Irene Adler em Sherlock, podem ter pausado cada frame é algo que ela não consegue suportar. A isso, ela olha com horror, coloca seus dedos nos ouvidos e canta: "La la la la la. Eu não quero saber."



Quando mencionei aos meus amigos homens que havia entrevistado Pulver, eles olharam sedentos - anda que a atriz de 31 anos tenha muitas admiradoras também. E agora ela ganhou reconhecimento internacional pelo papel, com a indicação ao American Critics' Choice Television Awards, ao lado de Jessica Lange, Julianne Moore e Emily Watson.

"Eu já ganhei só em meu nome ser lido ao lado dessas damas," diz ela. "É tão estranho. Na carreira de atriz, você nunca sabe o que irá chamar a atenção. Eu fiz um episódio de 90 minutos e muito mais gente fala comigo sobre isso do que qualquer outra coisa."

Quando leu o roteiro de Um Escândalo na Belgravia, ela tinha acabado de terminar de gravar o final de Spooks, e estava voando de volta a Los Angeles, onde a atriz nascida em Kent vive: "Foi um daqueles momentos que você pensa 'voltem com esse avião! Eu tenho que fazer isso'."

Além de atingir quase nove milhões de espectadores na noite, o episódio também atraiu 100 reclamações. "Acho a forma humana algo a ser celebrado. E, na verdade, você não pode ver nada. É por isso que eu passei oito horas filmando aquela cena, porque se você visse um pedacinho de mamilo..." Ela corta. "É tão bem filmado por Paul McGuigan, que é o que você não vê que atiça sua imaginação."

A gravação da cena foi um pesadelo de logística: "Nosso produtor estava discutindo isso com a BBC - 'Então você pode ter uma nádega fora de foco, mas não duas.' Foi um pouco hilário o que ela teve que aderir."
Pulver estava completamente nua na cena "a não ser pelos Loubotins e dois lindos brincos de diamante", recusando a oferta do sutiã adesivo e calcinha: "Me faziam sentir mais desconfortável, na verdade."

Mas havia considerações da gravação também: "Paul McGuigan me chamou em um canto e disse: 'Olha, nós provavelmente passaremos 14 horas gravando isso se você usar essas coisas porque se nós virmos um reflexo deles, não poderemos usar'. [Ficar nua] me dava mas espaço para atuar. De outra forma, se eu não parasse na minha marcação, seria uma completa perda de tempo...teria sido: 'vamos ter que fazer de novo, dá pra ver um pedaço do sutiã aparecendo no olho esquerdo de Benedict.'". Ela admite ter ficado "desesperadamente assustada", mas completa: "foi empoderador pensar 'Estou na minha forma física mais crua, minha pele e ossos, está tudo bem.'" Eu não desmoronei. Sofri um pequeno pânico por dentro mas fui capaz de fazer meu trabalho." 

Não é um pouco constrangedor ficar nua no set, apesar disso? "Eu tinha uma identidade onde me esconder. Irene Adler não tem problemas com a nudez ou sua sexualidade. Constrangedor, não foi. Por incrível que pareça, não foi." Ela é corajosa, então? "Ou burra."
Irene Adler é uma feminista, então? "Ela é uma enorme pioneira pra as mulheres. Ela abraça completamente o fato de ser mulher. Ela tem inseguranças e falhas que a fazem agir em extremos mas não acho que ela seja anti-feminista."


Pulver diz que a resposta ao personagem tem sido incrível: "Ela é um espelho perfeito pra ele, e algumas vezes nós não queremos olhar no espelho. Achei que as adoradoras de Benedict diriam 'ele não pode ter um interesse amoroso' mas foi o completo oposto. Acho que elas gostaram do nosso encontro. Se tivesse sido apenas uma atração sexual, as pessoas pensariam: 'Por que ela? Tem gente muito mais bonita.'"

Ela está sendo auto-depreciativa. Pulver é muito bonita, com uma pela quase translúcida e enormes olhos. Ela é articulada, charmosa e destila sex appeal. Ela também está com o corpo em uma forma fenomenal - nos encontramos no INC Space, em Covent Garden, clube para o meio artístico onde ela frequenta regularmente a academia.

Em uma cena posterior, Adler chicoteia Sherlock. Cumberbatch - no telefone dela como Benedict Cumber-wotsit* - disse que Pulver deixou marcas. "Benedict disse: 'Lara, você pode mesmo vir pra cima de mim se quiser', então eu fui."

Então ela deixou marcas? "Não." Uma pausa. "Bem, ele não me disse que tinha, mas talvez ele estivesse tentando ser homem."

Lutar com Cumberbatch definitivamente aumentou a procura por ela: "Foi muito difícil escolher [meus] próximos projetos porque quando você recebe um presente como aquele, pra onde você vai? Felizmente, me ofereceram uma peça de Chekhov e farei Da Vinci's Demons [um drama baseado na juventude de Leonardo daVinci] em Outubro.


*Gíria em inglês para algo não definido. [what's it]



2 comentários:

  1. Recebemos este comentário por e-mail, mas por algum motivo, não apareceu aqui (e não fomos notificados de que a autora deletou). Então, resolvemos colar e responder:

    "Eu fiquei encantada com a atuação da Lara em Sherlock. Já a conhecia da série Robin Hood, e quando a vi em Sherlock pensei que não poderia ser outra atriz senão ela a fazer esse papel. A Irene Adler é uma das minhas personagens femininas preferida. Mas sobretudo em função do que o Moffat criou a da interpretação da atriz, pois antes da série eu ainda não tinha lido Um Escândalo Na Belgrávia, e quando li me assustei. A Irene do Conan Doyle era sem graça uma personagem crua, mal trabalhada e mal finalizada. Assim como a história como um todo. O que o Moffat fez com a história original é incrível! Pois o livro nada mais é, na minha opnião, do que uma "adaptação" (para não dizer cópia, em grande parte) do conto A Carta Roubada, do Allan Poe. As semelhanças são muitas, e depois que as percebi não posso negar que o Conan perdeu pontos comigo. Eu fiquei decepcionada e passei a admirar ainda mais o trabalho do Moffat e do Gatiss. A adaptação deles é fantástica e consegue ser muito mais envolvente do que as histórias originais."

    Postado por Josiane Vilela

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    1. Respondendo:

      É verdade que Conan Doyle foi influenciado por Allan Poe, e é uma influência assumida, Josiane. "Escândalo na Boêmia" foi o primeiro conto da série que Doyle escreveu e a segunda história de Holmes. É normal escritores se parecerem com suas influências no começo, a gente vê bastante disso no cinema e na música também. Mas é verdade também que muitas histórias de Doyle tem furos terríveis nas tramas e esse tipo de coiisa tira ainda mais o brilho.

      É verdade que a modernzação de Holmes deu um "refresh" nas histórias, mas "Sherlock" também está largamente influenciada por tudo que já foi feito sobre Holmes anteriormente. Tudo mesmo. E "Escândalo", em particular, não parece tão orignal quando a gente assiste "A Vida Íntima de Sherlock Holmes". Moffat já disse que, ao lado dos filmes do Rathbone, é o seu preferido e se você assistir, vai ver que a hiistória também foi chupada de lá, com algumas alterações:

      - Holmes conhece uma espiã russa, que chega como uma mulher sem memória em sua casa
      - A mulher fica na casa dele, dorme na cama de Holmes. Acorda e anda nua até a sala. Holmes está sentado no sofá da sala quando ela aparece de costas (pra gente). Igual à Irene em "Belgrávia". E ela também vai para nos braços de Holmes.
      - Ela seduz Holmes e ele se sente atraído por ela.
      - Ela quer enganá-lo para descobrir planos para um submarino. Paralelamente, ele acha que está em outro caso e Mycroft manda ele não se meter.
      - Holmes consegue descobrir o plano no final. E a rainha da Inglaterra aparece por lá também.

      "Escândalo" tmbém tem influências de outros contos como "A Aventura do Cliente Ilustre", por exemplo. Mas é uma boa mistura de outras coisas que já foram feitas. E com o toque especial do Moffat ;)

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