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"I am SherLocked" - Sherlock vira tema de trabalho acadêmico sobre afeto e questões de gênero

A mestranda em Comunicação Patrícia Matos* acaba de publicar o artigo "'I am SherLocked': Afeto e questões de gênero no interior da comunidade de fãs da série Sherlock", focando a questão do shipping entre Sherlock e John , tão comum no fandom de Sherlock. 

Nosso blog e nossas redes foram usados como material de consulta e ficamos muito felizes de termos contribuído para tal artigo de alguma forma!

Aqui, postamos a introdução do trabalho e ele pode ser lido e baixado (em pdf) completo neste link aqui.


“I am SherLocked”: Afeto e questões de gênero no interior da comunidade de fãs da série Sherlock

Introdução

Sherlock, versão contemporânea da rede britânica BBC para o personagem de Sir Arthur Conan Doyle, se tornou conhecida por combinar os elementos que fizeram o personagem se tornar um ícone da cultura britânica do século XIX com a rapidez e despojamento proporcionados pela tecnologia dos dias atuais. Na nova versão, o famoso detetive consultor trocou o cachimbo por adesivos antifumo e lupa pelo smartphone. Sua perspicácia continua a mesma, mas sua hiperatividade é típica dos dias atuais. Seu parceiro inseparável, 
Dr. Watson (ou apenas John), além de ajudar o amigo a solucionar crimes, é o responsável por narrar as proezas do detetive, dessa vez através de um blog. A relação de admiração e lealdade entre John e Sherlock frequentemente resulta em comentários sobre a sexualidade da dupla, dentro e fora da série. Em pouco tempo e com apenas duas temporadas de três episódios cada, a série conquistou fãs fiéis que atualmente se ocupam em acompanhar passo a passo a produção da terceira temporada através de fansites. Além disso, sites, blogs, páginas no facebook, twitter e tumblr dedicados à série divulgam notícias relacionadas ao elenco e seus projetos, discutem aspectos relacionados à trama e à obra original, criam teorias, trocam fanarts e fanfics [2] e organizam encontros. No Brasil, apesar de a série só ter começado a ser exibida em junho de 2012, com a chegada do canal BBC no país, fãs já se organizavam principalmente em torno do blog Sherlock Brasil, sua página no facebook, no tumblr e no twitter[3]. 

A motivação inicial para este trabalho foi uma curiosidade em relação ao formato e a recepção da série. Com episódios mais longos, temporada mais curta e esquema de exibição irregular, Sherlock foge ao padrão norte-americano de ficção seriada que o espectador (inclusive no Brasil) está acostumado. Portanto, em um primeiro momento me interessei em saber como a série conseguiu conquistar a fidelidade do público (que teve de enfrentar um hiato de dois anos entre a primeira e a segunda temporadas e no momento aguarda mais de um ano pela terceira). Porém, ao observar a comunidade de fãs mais de perto surgiu o interesse em relação às questões de gênero levantadas pela série e como isso é recebido pelos fãs. Chama atenção o fato de a série atrair majoritariamente o público feminino, ao passo que seus personagens principais desafiam em muitos momentos os ideais de masculinidade da sociedade atual. Este se tornou, então, um tema emergente desta pesquisa, com especial atenção para a prática do shipping, ou seja, fãs que criam narrativas tendo como tema central o envolvimento amoroso entre personagens que não acontece na trama original em um duplo movimento de ir de encontro ao cânone (já que a obra original de Conan Doyle não se refere a um suposto envolvimento entre Sherlock e Watson) e de extrapolar elementos presentes na obra (no caso, a série da BBC). 

[2] Fan fic, abreviação de fan fiction, são histórias criadas pelos fãs com base na obra original, a fim de preencher “lacunas” ou simplesmente explorar outras possibilidades narrativas, podendo ou não manter a  maioria dos elementos originais, criando personagens e até cenários novos. Já as fan arts podem ser desenhos, ilustrações, montagens etc.



*Patrícia Matos é graduada em Comunicação Social pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense. Bolsista de Demanda Social da CAPES. E-mail: patriciamatos85@gmail.com

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