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O que podemos esperar da quarta temporada?


A aclamada série Sherlock está retornando para a sua quarta temporada em 2017 e Benedict Cumberbatch junto aos produtores Steven Moffat e Mark Gatiss estiveram recentemente na Comic-Con para entregar pistas sobre o que os fãs podem esperar dos próximos episódios. Nunca dispostos a revelarem os segredos da trama, eles foram cautelosos em suas respostas, apesar de terem feito questão de deixarem clara tanto a paixão pela série quanto pelos personagens.

Durante a rodada de perguntas, eles falaram sobre a evolução de Sherlock Holmes, sobre o porquê de Moriarty ainda pesar sobre ele, sobre a quarta temporada ser tão quanto "a escuridão do fim do universo", sobre o vilão interpretado por Toby Jones ser diferente dos anteriores, sobre o que Sherlock pensaria se encontrasse Doctor Strange e por que eles amariam continuar com a série, porém nunca as custas da perda de sua qualidade.


Steven e Mark, quando vocês estão lidando com a evolução do personagem ao longo das temporadas, quais são as coisas em Sherlock que jamais podem mudar?

STEVEN MOFFAT:
Seu casaco e sua cueca. O que permanece imutável em Sherlock Holmes? Ele favorece a razão sobre a emoção, mas na verdade, embaixo disso tudo, existem sentimentos. Você não pode de uma hora pra outra fazê-lo comum, pois ele detestaria isso. Ele não vai se tornar uma outra pessoa de repente. Eu não sei precisamente se ele amolece. Ele se torna mais humano e mais adepto a lidar com pessoas, porém mantém-se afastado por achar mais interessante observar a interação humana de uma certa distância

MARK GATISS:
Isso é o que faz  o personagem interessante. Se a série tivesse começado com Sherlock sendo uma pessoa normal, não estaríamos falando dele agora. Se ele se tornou uma, isso sim seria interessante. Mas você precisa dar a ele um caminho a seguir, assim como Doyle fez. O homem distante e estranho que o Doutor Watson conheceu no início não é o mesmo homem que considera John Watson o seu único amigo. Ele pode fazer coisas muito melhores agora, mas ele nunca se tornará um de nós. Caso contrário, ele não é Sherlock Holmes

MOFFAT:
Ele consegue ser sensato e engraçado e no início não era assim. Com o passar do tempo, ele passou a se relacionar com as pessoas de forma divertida, inclusive. Ele adquiriu uma sabedoria que não tinha no início, mas ainda assim, ele se mantém distante. Ele jamais irá mudar isso.


Benedict, como é interpretar um personagem, de tempos em tempos, que você já se sente familiarizado, porém que toda vez muda, se tornando algo novo?

BENEDICT CUMBERBATCH:
É encantador. É familiar, porém ao menos tempo não estaríamos fazendo isso novamente se fossem os mesmos caminhos já trilhados. E é isso que é brilhante no roteiro. O roteiro nos mantém desafiados e envolvidos. Você pode ir longe com um personagem que começou com uma conduta baseada moralmente, socialmente e obsessivamente no trabalho. Você pode aperfeiçoar o gênio porque a genialidade não é perfeita. Seu nível, sua prática e sua metodologia é quase desumana. Então, tem sido um arco fantástico de se interpretar e que está fluindo dentro da série. Ser capaz de voltar para esse projeto, me juntar a todos novamente, nesse ambiente familiar e ainda assim diferente, é algo maravilhoso.

O quão diferente é o Sherlock de agora do Sherlock do primeiro episódio?

CUMBERBATCH:
Ele deixou de ser o sociopata obcecado por trabalho e um tanto amoral para ser alguém que tem um certo grau de uma vida privada com A Mulher, Irene Adler. Suas interações com as pessoas, o tornam melhor no que faz. Ele tem que entender o mundo e muito disso parte da influência que John tem sobre ele. Porém, assim como muitas das amizades e relacionamentos que existem dentro dessa história, ela nasce de uma necessidade. Essa amizade faz dele uma pessoa melhor e existe um pragmatismo nisso. Não é um capricho ou algo sentimental, nasce de uma necessidade

Por que Moriarty é uma pessoa que continua exercendo um peso tão grande sobre Sherlock, mesmo ele não estando mais lá?

CUMBERBATCH:
Acho que por ser a primeira vez em que ele realmente encontra o seu igual e isso o assusta. Ele é um inimigo e inimigos aterrorizam bastante o seu psicológico. Eles não são apenas entidades físicas que estão realmente presentes, se trata do medo que se tem deles. E eu acho que Moriarty foi bem sucedido nisso, ele aterrorizou a mente de Sherlock. É o medo que vive nela


Ele tem um certo respeito por Moriarty?

CUMBERBATCH:
Com certeza! Definitivamente! Eles são lados opostos da mesma moeda e reconhecem isso. Sherlock está ao lado dos anjos, mas não se imagina como um deles. Ele usa os mesmos meios, mas para propósitos melhores, como era de se esperar.

Vocês irão ficar em alguma história específica de Sherlock Holmes na quarta temporada?

MOFFAT:
Todas as três histórias são baseadas, como sempre (em maior ou menor extensão), nos originais de Doyle, mas você terá que descobrir quais são.
 
Benedict, como é trabalhar com roteiristas como Steven Moffat e Mark Gatiss que são tão passionais sobre o que eles estão fazendo com Sherlock?

CUMBERBATCH:
É ótimo, pois existe uma forte referência a qualquer detalhe da obra e mantém você próximo ao cânone. Eu vou aos livros para referências específicas e para a evolução que existe dentro da leitura e a adaptação vai ao encontro de cada aspecto da escrita desde a parte sombria até as partes divertidas e são tão ricas as caracterizações e o desenvolvimento das relações. A satisfação deles é a satisfação da audiência, e portanto, a nossa satisfação em participar. É uma ótima relação de trabalho.
 

 

A quarta temporada tem sido definida como a mais sombria até agora.

CUMBERBATCH: Sem sombra de dúvidas.

O quão sombria será?

CUMBERBATCH:
Seria como um míope no escuro. Estamos falando sobre a escuridão do fim do universo. Você não consegue enxergar nada a sua frente e caminha no total escuro.

MOFFAT:
Nós desligamos os refletores para economizar dinheiro, dessa forma você mal consegue enxergar. É o mesmo programa e felizmente com muitas risadas e muitas coisas mais, mas é explicitamente a temporada mais sombria. Você vai ter que esperar pra conferir.

O quão diferente é o vilão de Toby Jones se comparado aos vilões que apareceram nas temporadas anteriores?


MOFFAT: Ele é completamente diferente, um personagem completamente diferente. Ele é o vilão mais sombrio que nós já tivemos. Sempre tem algo encantador e envolvente quando falamos de Moriarty ou algo fascinante e amoral quando falamos de Charles Augustus Magnussen, mas já esse cara é o mal personificado! Sherlock fica realmente chocado com ele. Ele é o vilão mais perverso que já tivemos e eu realmente não acredito que vocês irão discordar da gente quando o verem. Ele é horrível!

GATISS: É algo interessante a se discutir. Nós fizemos o nosso Moriarty bem diferente do do Doyle. Ele é irlandês e traz todo aquele charme, brilho e humor para o personagem, mesmo sendo aterrorizante. Magnussen era um homem de negócios extremamente frio e calculista que não via o que fazia como sendo algo repugnante. Toby está fazendo algo bem interessante. Ele é aquele tiozão aparentemente engraçado e com dentes terríveis. Nós o demos dentes horríveis para combinar com toda a podridão que ele tem dentro dele. É um personagem sombrio bastante complexo. Você não tem certeza qual é a relação dele com os outros.

Mark, o que faz com que Mycroft continue espionando Sherlock?

GATISS:
Amor, afeto e um grande elo familiar. Eles são uma família estranha e por mais que você não esperasse por isso, nós realmente queríamos que os pais deles fossem pessoas adoráveis que tiveram como filhos esses dois esquisitos que estão mais para Niles e Frasier Crane. Eles vieram de um ambiente familiar adorável, dessa forma, mesmo que Mycroft não demonstre muito e use da máquina do Estado para monitorar o irmão, tudo isso vem de um ambiente familiar amável.

O que ele quer fazer é abraçar o irmão e trazê-lo para esse ambiente, já que Sherlock é um tanto solto dentro do canon e isso o deixa louco! 

Se Sherlock conhecesse o Doutor Estranho, o que ele falaria sobre ele?

CUMBERBATCH: Essa é uma pergunta muito boa. Além do Ancião, eu acredito que Sherlock veria alguns dos elos perdidos na vida de Strange. Acho que ele seria capaz de expor as motivações e falhas de Strange bem rapidamente, assim como ele faz com qualquer um que ele conheça. Se ele ficaria interessado na história de Doctor Strange aí eu já não sei. Assim como defender o mundo, tal como o conhecemos, de outras ameaças dimensionais, eu não acho que Sherlock realmente saberia sobre isso. E seria aí que a interação iria parar.


Vocês tem ficado cada vez mais ocupados desde que começaram Sherlock. Acham que a série pode continuar?

CUMBERBATCH:
Iremos ver. Temos que ver como a série irá se sair. Tem sido muito divertido voltar para gravar. Mas como irá continuar no futuro? Quem sabe? Não se trata apenas do que nós queremos, se trata do que será certo para a série, do que será justo e isso tem que ser feito com cautela. Pense sobre os poucos, porém clássicos desfechos de muita séries britânicas, não existem muitos! É uma coisa dolorosa de se dizer, mas talvez a quarta temporada seja o desfecho. Quem sabe? Eu não sei.

Não quero dizer que será assim, pois nos divertimos muito fazendo a série, mas geralmente temos que ver como a série será recebida. Sem contar que os atores não são os únicos que estão ocupados. Mark e Steven estão bastante atarefados também. Mark também é ator, além de produtor e roteirista da série. Todos nós estamos presos a diferentes direções. Não queremos nos comprometer em continuar fazendo só porque que nós podemos continuar. Tem muita coisa a se pesar, não se trata apenas do que queremos fazer, se trata do que é certo. Nós iremos ver, realmente iremos ver. Ninguém decidiu nada a respeito, não existe 'sim' ou 'não', um início ou um fim.

MOFFAT: Temos que encarar uma temporada de cada vez. Não sabemos o que o futuro nos reserva e não depende exclusivamente da gente. Esperamos fazer mais, acho difícil imaginar que não faremos, mas em termos de planos específicos, existem ideias que ainda não foram realizados

GATISS: Nós estamos filtrando algumas coisas. Nós temos algumas ideias

Então não parece ainda que já deu pra vocês, certo?

MOFFAT:
Se durante um programa, você chega ao ponto em que sente que pra você  já deu, então provavelmente já passou do ponto em que você deveria ter terminado. Você deve parar na velocidade máxima, deve sair do trem enquanto ele ainda está percorrendo o caminho, em vez de esperá-lo parar. Nós não iremos fazer dessa forma. Não iríamos fazer uma série sem que esta passasse primeiramente sob a nossa inspeção. Nós temos que estar empolgados com ela, antes mesmo de falarmos para outras pessoas. Mas ainda temos algumas ideias... quem sabe? Nós iremos ver

2 comentários:

  1. Melhor série ever. Muito bom com o trabalho de traduzir essas entrevistas e outras coisas, sempre continuem!

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  2. No conto "O detetive agonizante", o Sherlock finge ter caído na trama do vilão o sr. Culverton Smith e ter ficado mortalmente doente, o que se prova uma armadilha para conseguir uma confissão do vilão. Claramente esse será uma das histórias do cânon de referência, mas eu acho que pode outra pessoa no hospital como vemos no trailer, eu acho que pode ser ou o john ou a molly. Qual a opinião de vocês?

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