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3 em 1: Elementary, Blackout, A Casa da Seda


Inaugurando um nova seção aqui no Sherlock Brasil dedicada a mini-resenhas onde vamos comentar alguns trabalhos relacionados à Sherlock Holmes ou aos atores/criadores de Sherlock que muitos leitores costumam pedir nossa opinião. Pra começar, escolhemos a polêmica Elementary - que estreia no Brasil em outubro no Universal Channel; Blackout, minissérie da BBC estrelando Andrew Scott e Christopher Eccleston - que foi ao ar no Reino Unido este ano e o livro A Casa da Seda, de Anthony Horowitz, o primeiro romance de Sherlock Holmes escrito por um novo autor a ser autorizado pelos herdeiros de Arthur Conan Doyle - e publicado no Brasil neste ano pela editora Zahar.

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Elementary (Episódio Piloto) - Daniele Ribeiro

 Eu vou apontar três pontos positivos:

1- Apicultura (Isso foi fantástico)
2- Finalmente um Watson que dirige!
3- Basicamente todo o piloto de série é ruim; conto nos dedos de uma mão os pilotos que eu realmente gostei, então, acho válido dar um pouco mais de crédito e farei como com todas as outras, três episódios para me conquistar.


Mas se eu fosse produtora do programa jamais usaria efetivamente Sherlock Holmes e uma Joan Watson. Elementary traz muitas alterações de uma vez só. Não é só UMA Watson, não é só ele morando nos Estados Unidos, não é só ele nos tempos atuais. É tudo isso junto somado a outras características que não estão agradando. Por exemplo: Eu não conheço ninguém que não goste do filme "O Enigma da Pirâmide", e ele mostra Sherlock e Watson crianças/adolescentes; Sherlock se apaixona, mas mesmo assim você reconhece os personagens ali, mesmo sabendo que eles não se conheciam nessa época. É a coisa da essência de Sherlock Holmes mesmo, que ainda não apareceu em Elementary

Nota: 3,0

Pedimos também a opinião de Laura Medina, moderadora do fórum Sherlock Holmes Brasil, que comentou:

"Toda vez que eu quase sentia que eu ia ver Holmes... ele sumia. Ou seja, em algumas partes dava a impressão que Sherlock Holmes ia enfim aparecer, mas logo depois aparecia qualquer coisa longe de Sherlock. Ainda não consegui ver Sherlock Holmes ali. As poucas vezes que podia-se dizer que "Holmes" estava na série logo depois ele ficava infantil. Parecia mais um moleque mimado que se denominava Sherlock Holmes e que precisava de alguém como babá, que no caso foi a Joan Watson - que o papai pediu. Toda hora ele ficava tremendo, pulando, não parava quieto. Desde quando Holmes é "uma criança imperativa"? 

Holmes era limpo, cuidava da sua própria higiene.Ele podia ter uma bagunça organizada e  hábitos pouco comuns, mas não era largado de qualquer jeito. Desde quando ele obedece na hora o/a Watson!? Desde quando ele faz uma mulher (ou alguma pessoa que esteja interrogando) chorar e mandar sair enquanto está interrogando-a?! Sem contar a história do Google, que Holmes não iria consultar o site só para depois ficar se exibindo. Me poupe. Se a série tivesse outros nomes de personagem seria visível; ou seja, teria lá seu crédito. 

Não sei se alguém percebeu os títulos dos livros da biblioteca do Holmes, não vi NENHUM que falasse de Química, ou qualquer coisa do gênero. Se é que pode-se falar da parte do remédio. E quanto ao violino, ele só aparece no pub irlandês com uma garota tocando, em último plano. Não vi nenhuma referência à Londres, à Inglaterra. E os vícios?! Álcool?! Que vício mais clichê, nada a ver com Holmes! Se for pra mexer dessa forma, que faça como House. Se baseie no Holmes  mas crie outros personagem. Um horror!" 



Blackout - Renata Arruda

Um pai ausente e político corrupto e alcoolatra que sofre apagões de consciência devido à bebida e comete atos dos quais não se lembra. Um crime suspeito. Uma bela mulher que leva vida dupla. Um policial honesto e fracassado. Um grande esquema de poder para dominar a cidade. Uma família a ponto de ser destruída. Esses são os elementos de Blackout, drama da BBC que acompanha as reviravoltas na vida de Daniel Demoys (Christopher Eccleston) que vive sua própria versão do clássico de Dostoiévski, "Crime e Castigo" - influência para um número considerável de filmes e afins. Com uma fotografia sempre escura, apostando em cores quentes e sombras e uma câmera quase sempre em close, Blackout mantém o ritmo de thriller psicológico do início ao fim e talvez a insistência em abordar a história como thriller tenha sido o grande erro de direção. A tensão potencializada pela trilha sonora quase nunca entrega uma grande reviravolta e os cortes são tão rápidos e constantes que muitas vezes fica difícil acompanhar a narrativa - que não foge dos clichês do gênero. Abordado como o drama que realmente é, talvez seria mais fácil para o espectador se envolver com a trama e com os dramas particulares de personagens e aqui vale o parênteses: o elenco é um show à parte, talvez o maior motivo para assistir Blackout. Com um final que ao mesmo tempo que fecha um ciclo também é inconclusivo, resta a dúvida se poderemos ver mais sobre o desperdiçado personagem do ótimo Andrew Scott em uma temporada futura.

Leia entrevista com Andrew Scott sobre seu personagem Dalien Bevan nas Rapidinhasaqui.

Nota: 3,0





A Casa da Seda - Renata Arruda

Mais de 80 anos depois da morte de Arthur Conan Doyle, o Grande Detetive ganha um novo romance que vis complementar a obra de Doyle e entrar definitivamente no cânone. Se fechamos de vez o livro sobre Holmes com a história sobre Josias Amberley - que chega alguns contos depois de "O Último Adeus" - agora Anthony Horowitz com a bênção dos herdeiros de Conan Doyle, nos apresenta a um Watson já idoso, com filhas e netos, contando um caso de tirar o fôlego enquanto repassa toda a sua história com Holmes, costurando todo o cânone em um só romance. Horowitz emula bem o Conan Doyle, mas cai em alguns pequenos erros sobre os personagens colocando coisas que eles não falariam ou fariam; como por exemplo, quando Sherlock explica para Lestrade o que está pensando quando no livro ele costuma fazer para o Watson quando estão a sós ou quando um personagem menciona a "teia se fechando", quando  esta é uma das falas típicas de Holmes. Tais detalhes ajudam a nos lembrar que não estamos lendo um manuscrito perdido mas um exemplar de um dos vários trabalhos que visam adaptar e homenagear Doyle, como BBC Sherlock; e Horowitz faz um bom trabalho em não nos deixar esquecer isso também ao imprimir algum do seu próprio estilo narrativo e colocar Watson para fazer divagações ou lições de moral tão pouco a ver com o que lemos no cânone - provavelmente por ter se preocupado em escrever para um público jovem e não familiarizado com Holmes. E, de fato, muitas vezes quando histórias antigas são relembradas, o tom é quase o de apresentação. Outro detalhe é que, sendo também roteirista de séries policiais, Horowitz utiliza o enredo estilo bestseller, onde cada capítulo termina com um gancho para te obrigar a não desgrudar do livro e imprime várias situações típicas de filmes/séries do gênero policial: como a perseguição e tiros de carro `noite, durante uma tempestade de neve (que se passando na época Vitoriana, na verdade é uma perseguição de charrete ou algo do tipo - o que nos remete aos filmes de Guy Ritchie com Robert Downey Jr.). 

O melhor do trabalho de Horowitz pode ser visto nos diálogos, extremamente bem construídos e dignos de Conan Doyle. Vale como cartão de visitas para novatos e item de coleção para veteranos, que agora podem se despedir de Sherlock Holmes em grande estilo.

Nota: 4,0

*As notas vão de 0 a 5

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