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[Parte II] Benedict Cumberbatch fala sobre Sherlock no Festival de Literatura de Cheltenham

Nesta segunda parte da entrevista, Benedict Cumberbatch fala sobre o set de filmagem de Sherlock, a cena do telhado em "A Queda de Reichenbach", sobre ser mais parecido com Watson que com Sherlock, a fama e os personagens de época que faz.
Para ler a primeira parte, clique aqui


Louise - Qual a coisa mais constrangedora que te aconteceu no set? 

A cena onde eu estou de lençol no Palácio de Buckingham. [O público grita] Vocês, suas obscenas! E o momento onde Mark pisa nele e ele não sai e eu me sacudo para parar e tem um take que ele não consegue, eu não consigo, nós não conseguimos pegar o pedaço certo e eu me sacudo pra parar e não teve como parar e eu acabo caindo no chão. O que foi a coisa mais engraçada que eu já fiz." 

Episódio favorito como espectador?
Ah meu deus, não tenho mesmo. É muito estranho ser seu próprio público então sempre tem coisas que você vê como ator que te deixa meio constrangido (tudo te deixa constrangido no começo, é horrível) e você precisa se acostumar com o fato de haver centenas de outras pessoas criativamente envolvidas. Eu gosto da festa de Natal - eu gosto da música, gosto do que Martin faz lá, eu gosto da cara que Rupert faz no fundo, essa é uma das minhas favoritas, quando ele descobre que sua mulher ainda está tendo um caso. Esses são meus momentos favoritos...eu gosto da câmera lenta [N.SB: A cena de "Escândalo na Belgrávia", onde ele grita "vatican cameos"]. A criança em mim adorou aquilo - acho que é um pouco infantil. 

Louise diz que ela gosta de A Queda de Reichenbach. 

"Eu não conseguia ver o rosto de Martin. Ele era só um pequeno borrão no local esperando um borrão maior cair a seus pés. Foi maravilhoso ver o que ele fez no outro final daquela conversa telefônica. Eu podia ouvir, nós estávamos conectados de forma que pudéssemos nos ouvir em tempo real. Então, eu podia ouvi-lo mas ver foi muito, muito tocante e vê-lo em choque depois..é ridículo, mas me fez chorar na verdade. 
Louise então fala sobre assistir Reichenbach na casa de Martin com o elenco e criadores de Sherlock  e tentar disfarçar o choro e não dar muito certo. 
"Você não devia tentar esconder esse tipo de coisa porque saem os piores sons. Eu estava na peça Hedda Gabler e estava na frente do palco confortando Mrs Elvsted que Lisa Dillon interpretava e Hedda estava atrás fazendo injúrias e uma mulher na audiência, por volta dos 50 anos, em uma matinê durante um dia bem quente de verão  - nós tivemos um grande público mas naquele dia estava muito, muito calmo e o som ecoou no teatro Duke of York e ela tentou conter um espirro e saiu um "Apoo", eu acabei chorando de rir e foi a coisa mais engraçada.
Sherlock chegou a abrir o presente de Molly? 
Acho que ele se distraiu um pouco.  (Louise revela que o presente era um mankini de Borat - "foi de coração").
Steven e Mark nos deram 3 pistas sobre a Terceira Temporada - rato, casamento, reverência (Saiba mais aqui no blog). Você pode elaborar?  
Não. 
O que você gostaria que Sherlock fizesse?
Não posso dizer. Eu passei a ser um entrevistado mais resguardado, senhoras e senhores. Eu genuinamente não posso dizer. E a razão é que eu genuinamente não posso dizer. Eu não estou tendo muita informação, o que eu acho que é a melhor coisa.
Há esperança para Molly? 
Sempre há esperança para Molly. Isso que é o mais cruel.
 Você é mais um Watson ou um Sherlock na vida real? 
Watson. Sou muito mais de acompanhar. Martin tem mais um brilhantismo intuitivo que eu, o que faria dele um sociopata assexuado. Não que Martin Freeman seja um sociopata assexuado, é só que ele pensa bem mais rápido que eu.
Louise discute a qualidade da diversidade de Benedict, "totalmente moderna e ainda assim, atemporal" e como ele parece se encaixar bem em dramas de época.
Eu tenho um rosto levemente estranho. Isso sempre me marcou como encaixando bem em dramas de época, suponho. Acho que essa coisa de outro mundo ou pelo menos outra época tem a ver com calhar de eu ter ficado marcado assim no início da carreira e eu continuo feliz em fazê-los. Eu fico feliz em pertencer almas velhas de um mundo velho e eles são personagens maravilhosamente ricos em dinâmica, então eu acho que essa foi uma parte da atração me levou  interpretar Sherlock, em primeiro lugar.

Embora Steven diga que tenha sido pelo que fiz em "Desejo e Reparação" que o levou a pensar em mim, o que é levemente perturbador mas eu entendo. Eu meio que entendo. Assim, eu tenho gostos e sensibilidades modernas mas você suprime um pouco isso quando está interpretando Sherlock, ainda que ele esteja no século 21 e seja mestre em multimídia e possa rolar uma página ou tuitar ou usar qualquer interface mais rápido que o mais rápido mas Sherlock é um homem moderno. Ele é, então isso meio que entra no território de como se conter, que voz, que classe dar a ele, que tipo de forma eu devo dar a ele na minha cabeça, seu passado, seu parentesco e quando tudo isso começou? Ele nasceu assim? Eu acho que não, eu acho que ele se tornou e foi nisso que nós tocamos na segunda temporada e espero que exploremos mais na terceira. Sobre ter uma alma velha, meu professor de inglês sempre me dizia isso quando eu era novo, que eu era uma alma velha.
Eu sei que seus pais são atores mas houve um estimulante pra que você seguisse essa carreira ou sempre foi pra ser?
Ah não. Essa é outra dessas coisas que foram infladas pela imprensa. Eu sou insanamente grato pelo privilégio de não apenas ter pais incrivelmente ótimos mas também dois pais atores que trabalharam muito, muito duro porque não estavam em trabalhos muito comerciais na sua época enquanto eu crescia, e para que eles pudessem arcar com uma educação absurdamente cara e eu fui tratado com grandeza por aquela escola (apresenta seu professor e professora). Eu passei ótimos momentos lá e absorvi muita coisa e explorei todas as oportunidades que haviam a ser exploradas porque eu sabia a sorte que eu tinha em ter pais que trabalharam duro para eu estar lá e isso foi algo que eu tentei explicar no passado mas isso saiu do controle, como se sei lá, eu tivesse negando o meu passado e neste verão, perversamente, eu apareço do nada como o menino da campanha anti preconceito contra a elite.

Assim, eu estava fora quando tudo isso começou. Eu pensei, 'quem vai entrar numa briga pela pobre Victoria Beckham? O que está acontecendo aqui?' E aí eu percebi que eles distorceram uma coisa que eu nem mesmo tinha dito em algum tipo de discurso para os privilegiados, ou Torismo (N.SB: designação dos partidários do Partido Conservador do Reino Unido) ou elite. Uma das principais razões para se envolver com atuação é se livrar de tudo isso e tentar e experimentar sendo outra coisa diferente de si mesmo e suas circunstâncias, mesmo que você seja grato por elas e eu sou grato de verdade, então isso permanece como um enigma para mim, como e por que isso tudo aconteceu. Embora estejamos na época da bobagem, e haja síndrome poppy (N.SB: termo pejorativo usado no Reino Unido e outros países usado quando pessoas são criticadas por seus méritos) e todo esse nonsense que é um dos poucos preços da posição muito privilegiada que eu estou agora como um ator que consegue trabalhos marvilhosos e gosta muito do que está fazendo e tem um fantástico retorno. Mas isso foi esquisito e é um dos muitos ajustes que eu tive que fazer.

Eu não sou nem a favor nem contra a "surra na elite". Acho que as pessoas da elite são eloqüentes e bem educadas e se entendem. Acho que tem uma enorme quantidade de coisas que temos que defender que não tem nada  ver com ser da elite mas a ver com a inadequação social e enormes, enormes abismos e disparidades na sociedade e precisamos trabalhar nisso, o que é individual. Acho que escolher um lado menospreza muitos dos argumentos muitos complexos que deveriam estar sendo feitos sobre classes e sobre passado e sobre dar uma segunda chance as pessoas e aliás, eu vou participar de uma corrida daqui a uma semana, no dia 14 de outubro, para o Prince's Trust, que é onde eu defendo tudo isso. É um compromisso feito pelo Príncipe de Wales, um dos cavalheiros mais privilegiados do país, feito no ano do meu nascimento, para dar à juventude de hoje, a juventude dessassitida, seja por problemas em casa ou na escola, uma segunda chance. Dar a eles uma voz e um apoio e a habilidade para se integrar e ter uma vida. Para ter uma voz dentro da sua geração, numa era em que há um número massivo de desempregados e dar a eles auto-confiança e eu me preocupo mesmo, apaixonadamente, com isso e é por isso que eu vou pedalar 45 milhas.

Qual a melhor coisa em ser famoso?
Bem, é notável poder ter esse tipo de conversa com tanta gente, é extraordinário e poder pedir que vocês tirem algo do bolso para uma caridade com a qual me preocupo. Ter algum tipo de voz sobre as coisas que me importam é extraordinário. Basicamente, eu sou um ator, então se isso me der mais oportunidades como ator (o que tem acontecido) então é ótimo - é absolutamente maravilhoso mas ter aquele elemento de atores que você sempre admirou chegando em você e sendo generosos com o que você fez é algo maravilhoso.

Quão estranha ficou a vida? Mudou muito?
Sim mudou, e  as declarações falsas são o norte de uma cilada em potencial. Você fica constantemente exposto e sua privacidade encolhe a algo estranho mas eu tento evitar isso de forma eu ainda ando de metrô [N.SB: Ele foi visto indo de metrô para a premiere de "O espetacular homem-aranha"], dirijo minha moto, quero continuar fazendo parte das coisas. Quero ser um ser humano normal. E aí tem essa coisa horrível e perversa que frequentemente acontece onde você tem que restringir seu acesso para se manter seguro ou são e isso me chateia, mas o importante é que a atenção tem sido absolutamente maravilhosa e eu agradeço a todos vocês muito, muito mesmo. Tem sido uma graça. 

Sobre "Elementary"
Trouxemos o longo comentário de Benedict sobre "Elementary", Jonny Lee Miller, Lucy Liu e a polêmica em que se envolveu após ter declarações distorcidas em um post separado, que você pode ler aqui.

Louise  Você falou a Caitlin Moran, o que eu achei ser um sacrilégio, que o corte de cabelo de Sherlock era pra mulheres, você repensou essa opinião?
Não, porque demora muito pra aprontar de manhã. É um tufo antiquado e esquisito de cabelo e eu não ligo muito pra isso e com o vento fica enorme. Eles fazem um belo trabalho nele. 

Leia aqui a Parte III, onde Benedict fala sobre ser capaz de chorar em cena, trabalhar com Andrew Scott, se imagina algum passado para Sherlock , se acredita haver sexismo na série e muito mais! .

Primeira parte, aqui

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