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O poderoso discurso feminista de Rachel Talalay, diretora de Sherlock, ao ser premiada como Mulher do Ano



Rachel Talalay, a diretora de T4E1: 'As Seis Thatchers', foi considerada a Mulher do Ano de 2016  no prêmio Women in Film & Television Vancouver e mencionou Sherlock em seu discurso:

"Recentemente, eu estava conversando com meus agentes sobre minhas ambições depois de concluir as filmagens de Sherlock. E eles disseram 'Sim, você fez Sherlock. Sim, os outros diretores de Sherlock todos receberam ofertas para dirigir pilotos e episódios na esteira da série. Mas lembre-se, você é uma mulher'. Isso meio que me tirou o fôlego, ouvir essa declaração dita de forma tão direta. Não foi agressivo. Foi dito de forma dolorosamente casual, eles nem devem mais lembrar que disseram isso. E foi isso que me chocou.

O que eles simplesmente queriam dizer era: 'Nós teremos que trabalhar muito mais pesado, mas seja realista em suas expectativas'. Me senti enjoada."
 
 
Ela continua fazendo um trocadilho com Doctor Who, série que também dirigiu, dizendo ter ligado para o Doutor. Após o diálogo:
 
"Então ele me deu um conselho. Ele disse 'lembre-se, uma coisa não leva à outra'.

E o que o Doutor queria dizer, do alto desses 4 bilhões de anos de viagens no tempo, experiência e sabedoria, era que não é só o Tempo que não é linear. É que você não pode ficar esperando que as coisas cheguem para você, Você não pode ser complacente e acreditar que será recompensada. Você tem que sair e conquistar, fazer com que elas aconteçam. Você tem que se posicionar POR alguma coisa, não apenas CONTRA. [Está ouvindo, senhor Trump?]

Amar, consertar, mudar, essa é a parte mais difícil.

Todas nós lutamos para dar voz às mulheres e à diversidade.

Todos esses grupos sub-representados têm histórias para contar. A indústria precisa parar de nos silenciar. Se não conseguimos encontrar apoio do governo, (...) as futuras gerações estarão perdendo as histórias de mais da metade da população do mundo e ainda mais oportunidades.

Então me permita estar com vocês --

Me deixe desacorrentar suas feras e permitir que vocês falem e escrevam e criem. Me deixem abrir as bocas das mulheres oprimidas...das mulheres desaparecidas [falando a respeito do filme On The Farm sobre mulheres desaparecidas em Vancouver de 1995 a 2011], vocês assistiram ao nosso filme, então essas mulheres não estão perdidas.

Nos deixem ser convidadas para falar e...assim como disse o Doutor, se uma coisa não leva à outra, então nós não precisaremos olhar apenas para as barreiras, nós podemos correr e dar a volta nelas, derrubá-las, destrancá-las e pular os obstáculos e o próximo obstáculo, e o próximo e o próximo -- até nos darmos conta de que ultrapassamos todos os obstáculos e agora só encaramos as oportunidades.

Não desistam.

Nossa criatividade é nossa liberdade. Isso é um superpoder. Não seremos silenciadas.

Então, como uma Guerreira Feminista Pós-punk, eu escolhi deixar vocês com uma letra de uma banda punk do fim dos anos 70, Xray Spex, uma letra que fala sobre a indústria e os opressores que mantiveram nossas vozes silenciadas:

Algumas pessoas pensam que garotinhas devem ser vistas e não ouvidas.
Mas eu penso Oh escravidão, não mais!

Obrigada por essa honra."


Leia a transcrição completa em inglês no blog da diretora: aqui

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