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'Sherlock é humano e suscetível a falhas'


Entrevista com Benedict Cumberbatch 



Sherlock Holmes
Como se sente ao vestir o famoso casaco de Sherlock após ter usado o traje vitoriano?
É adorável colocar o famoso casaco novamente em vez do colarinho engomado e do terno, porém estávamos filmando no meio do verão, então todas as vezes em que eu colocava o casaco estava muito quente! É parte de quem ele é, parte de seu kit e sua armadura.

Como encontraremos Sherlock, John e Mary no início dessa temporada?
Existem várias coisas novas acontecendo, temos um bebê agora, por exemplo! Assim, as responsabilidades parentais agora estão presentes na vida dos super detetives! Cuidar de uma criança nunca é fácil, mas se torna ainda mais complicado quando se tem crime envolvido.

John e Mary agora são pais, como Sherlock se sente sobre isso?
Acredito que Sherlock se sinta muito protetor em relação a eles como família, porém não age com naturalidade ou como uma figura de autoridade quando se trata de um recém-nascido. Espero que minhas habilidades e interação com os meus [filhos] seja um pouco mais empenhada que as dele! Ele é aparentemente indiferente, o que é cômico às vezes, mas é tudo apoiado num um amor profundo e ele realmente é um anjo da guarda.

Como você criou sua versão de Sherlock Holmes?
Sherlock não é apenas Sherlock, ele foi um bebê, depois uma criança, depois um adolescente, então um jovem adulto e depois o de 30 anos de idade que você conheceu no primeiro episódio da primeira temporada. Nós sabemos que ele tem um irmão chamado Mycroft e pais, mas como diabos foi realmente a sua infância? Eu quis saber todas essas informações logo no início porque estaria interpretando o mais adaptado e maior detetive ficcional de todos os tempos. Como ator, você precisa ter uma história de fundo para trabalhar, caso contrário o que você estaria fazendo além de emular certos ares, graças e maneirismos? O que tento fazer é apoiar todas essas decisões com uma compreensão embasada de quem é o meu personagem.

O que é tão atraente em interpretar o personagem de Sherlock?
Seja qual for a escala em que esteja trabalhando, como ator, tudo é sobre contar histórias interessantes e me perder em uma experiência. Há um certo conforto em voltar a algo que você já conhece, é bom ter o grupo reunido novamente e interpretar certos aspectos dele. Eu não costumo retornar muito a papéis, este teve apenas doze episódios e um especial até agora, não fizemos tantos assim 
A escala de Sherlock é sempre, em ambição, tão grande quanto qualquer outro produto em qualquer outro tipo de formato. A renderização final do que produzimos é muito fílmica e de alta qualidade e isso quer  dizer muito, pois não se trata apenas do baixo orçamento com o qual todos os departamentos de produção da série têm de trabalhar (em comparação com um grande filme), mas também com a quantidade de tempo disponível para aperfeiçoar

Eles dizem para nunca se trabalhar com crianças ou animais e na quarta temporada vocês trabalharam com ambos. O que achou?
Tivemos um cão interessante no primeiro episódio. Ele foi muito dócil, mas ficou com um pouco de medo de estar no centro da cidade, com medo de tantas pessoas ao redor e não ficou muito a vontade no chão duro. Nós estávamos no Borough Market com muitas pessoas em volta, concreto e asfalto. Corta para Amanda que estava literalmente puxando um bloodhound pelas ruas de Londres, quando na verdade era ele quem deveria estar puxando ela. Foi divertido.
Os bebês foram surpreendentes e eu como pai sei como é difícil conseguir criar uma sintonia com os horários de um bebê. Isso te mantém centrado naquele momento e te impede de ser tão perfeccionista sobre o seu trabalho. Eu amo esses elementos que tornam a tarefa mais difícil.

Quanto do temperamento de Sherlock é impulsionado pelas aparentes insuficiências dos outros, em vez do seu próprio desejo de perfeição?
Estranhamente, acredito que o temperamento de Sherlock é mais moldado pelo fato dele ser um humano tentando ser sobre-humano. A quantidade de coisas que chamamos de 'educação civilizada' é uma enorme distração para esse homem que tem que pensar em um nível inigualável de complexidades. Não é que o mundo seja estúpido é apenas que para ele ser inteligente ele realmente precisa eliminar um monte de ruídos e o que o deixa surpreendido (e o que eu acho que seja a sua real fraqueza) é que algumas vezes ele não vê o que está bem na frente dele. 
Seu ponto cego é exatamente a coisa para a qual ele propositadamente vira a cabeça no intuito de ser tão bom quanto é como detetive. Então é uma relação complexa que ele tem com o mundo.  Ele precisa que seja assim para conquistá-lo, mas, ao mesmo tempo, a maneira como ele se envolve com o mundo muitas vezes o cega para o mais óbvio. Isso é ótimo, de um ponto de vista da história, porque as pessoas acabam não vendo as coisas porque ele também não as vê. Sua estupidez é também o brilho do mundo, e é por isso que há coisas, pessoas e eventos que o atingem. Ele não é desumano, é humano e suscetível a falhas.

Fonte: BBC

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